domingo, 15 de junho de 2008

Diário Ensandecido - relatos de um manicômio

Você chega e já tá indo. Tá sempre indo. As pessoas me dizem: Cheguei já. Nem queria estar aqui. Enclausurada. Queria andar lá fora. Lá fora onde? Sei lá! Lá fora ué!. O pé dói demais, demias, tadinho.Tantos abraços vazios...Porque existi-los então?Caralho...O que torna um palavrão, um palavrão? Os homens. No sentido de ser humano( mas nesse caso homens porque mulher nunca deu pitaco). Tudo, né?É...Queime sua mão para se senitr...para se sentir...em chamas!Há! Em chamas igual a: condição não-humana-natural-possível, portanto, condição de negação(de não ser naquele momento) do ser. Sendo assim, negação do homem. O que nos leva a crer que: palavrão falado por homem de mão em chamas não é palavrão. Pelo menos pra ele que, em estado de negação de si próprio não pode manter os mesmo valores que ele mesmo criou e pôs fogo em. Se os cachorros falassem ia ser igual. Porque quem na verdade sente é sempre o outro, que por sua vez tenta convencer o primeiro que, em determinado momento, passa também a crer, e, por sua vez, passa esse comportamento à diante. Entendeu? É assim que me sinto, como a criação de um palavrão. E tenho dito.


Não-lugar, algum dia, de mes algum de um ano não-bissexto.

segunda-feira, 14 de abril de 2008

trecho sem fim do livro sem nome

Tinha uma prazer secreto que era só dela, não sabia ao certo porque. Mas era algo que era dela, e só. Ela adorava túneis. Quando a Kombi entrava no túnel da nove de julho,seus olhos brilhavam e se desligava (automaticamente) daquela ela que detestava e que se esforçava tanto em esquecer sem sucesso. Olhava aquelas luzes que nunca se apagavam - ela sempre passava por ele de noite - não importa o que acontecesse elas sempre luziam,sempre. E ela abismava-se toda santa - ou profana - vez. Todo o dia via a mesma coisa:o mesmo túnel,as mesmas cores, as mesmas luzes, o mesmo barulho do motor, as mesmas risadas das mesmas garotas e das mesmas piadas, o mesmo cheiro, a mesma ela.

Isso eram detalhes.

Não tinha a mínima importância.Todo dia ela fazia questão de esquecer-se de já os ter visto.E se comportava com uma criança que ganhou o primeiro cachorrinho de estimação.

- Eu podia cê um pêxe...será que aquilo que eles falam sobre a memória dos pêxes é sério?Pensa só: toda vez que olhasse pro lado depois de algum tempo ia tomâ um susto ou fica dislumbrada sei lá, toda hora uma sensação velha que ia cê sempre como se fosse nova - no túnel eu sô pêxe dorádo!-

domingo, 6 de abril de 2008

Danny-ball

O que pretendia ele com tais atitudes? O que queria o mocinho da cara minguada? Não se sabe, não se sabe...Sabe-se apenas que enfiava um chiclete atrás do outro dentro da boca e mascava, freneticamente. Sempre ele e o chiclete. Os chicletes. Tinha uma sede, uma vontade enorme, uma ânsia! Não sei do que...Mascava aqueles chicletes no ritmo do instante em que se tem uma grande idéia, das boas. Mascava com tanto gosto, como se o mundo inteiro deixasse de existir e sobrasse só ele com a boca e os chicletes. Que tempo era esse em que ele funcionava? Parecia mais um falha no sistema, sabe? Um buraco negro. Uma vida mascando e mascando e mascando. Não dava bom dia, só levantava a mão direita com os dedos colados, esboçando um semi-aceno e dando um sorriso de boca fechada. Era a o único frêmito de segundo em que parava de mascar. No tempo do sorriso fechado. Nunca abria aquela boca, só pra enfiar mais chicletes dentro dela. O aro negro da armação dos óculos moviasse levemente, pra cima e para baixo, acompanhado o movimento das bochechas rosadas. Às vezes um fio ou outro do cabelos também negros deslizavam suavemente para o rosto. Percebia e coçava o nariz, mas não reconstituía a forma anterior. A cada mascada uma nova forma. Uma mascada e não era mais o mesmo, o mesmo que havia visto. A cada mascada um olhar pra alguma direção distante das reais. Ponto de fuga. Ponto cego. Tinha uma percepção diferente. Prefira calar e observar e depois registrar, não como os outros, mas sim com os dentes na massa amorfa. Parecia mais era ser feito da matéria dos sonhos. Aquela calça listrada. Não fazia o menor sentido e nem tinha motivo algum. Pretendia...nada. Por isso andava com passos tão retos .Por isso passava sempre percebido. Por isso passava sempre desapercebido. Talvez fosse, talvez não fosse. Talvez fosse ele o próprio prefixo de quatro letras ou prefixo algum. Não sei. Não posso saber. Já que ando eu também com os chicletes na bolsa.

quarta-feira, 6 de junho de 2007

.
:


Poesia:

é fruto do nada que não cumpre sua função

É fruto do nada frusto.

é sempre um nada que não se consegue.

É falha do tempo perdido,

Que não se confirma,

E quer ser ganho.

Poesia é o nada que não se quis.

.
:

domingo, 13 de maio de 2007

Uma visão romântica da vida I

Uma visão romântica da vida,uma vida
: discos de vinil:-------------- românti-
: vinho tinto: -----------------ca na vi-
: morangos: -------------------da
: cobertor branco: -----------(pra quem
: um vaso, um girassol: ------gosta
: janela semi-aberta: ---------de
: séquito de luz: -------------- criar
: tacos,chão de: ---------------ficções
: dois travesseiros: -----------vivas)
: quatro entrelaçadas pernas:
: bocejos:
: acordar:
: bom dia!:

sexta-feira, 9 de março de 2007

Meu mantra

Ohm Namaha Shivaya.Ohm Namaha Shivaya.Ohm Namaha Shivaya.

Ohm Namaha Shivaya.

Ohm Namaha Shivaya.Ohm Namaha Shivaya.Ohm Namaha Shivaya.

Ohm Namaha Shivaya.

quarta-feira, 7 de fevereiro de 2007

Solidão é lava que cobre tudo
Amargura em minha boca
Sorri seus dentes de chumbo
Solidão palavra cavada no coração
Resignado e mudo
No compasso da desilusão
Desilusão, desilusão
Danço eu dança você
Na dança da solidão
Caméllia ficou viúva, Joana se apaixonou
Maria tentou a morte, por causa do seu amor
Meu pai sempre me dizia, meu filho tome cuidado
Quando eu penso no futuro, não esqueço o meu passado

Quando vem a madrugada, meu pensamento vagueia
Corro os dedos na viola, contemplando a lua cheia
Apesar de tudo existe, uma fonte de água pura
Quem beber daquela água não terá mais amargura.

Paulinho da Viola - dança da solidão.