Sinto-me às vezes como um urso polar enjaulado num oasis...
Ai.
Será que a nostalgia melancólica, fruto de um inconformismo ilusório e idealistícamente impossível, me é atávica?
domingo, 22 de março de 2009
quinta-feira, 19 de fevereiro de 2009
Acabo de escrever um comentário no blog da Bru(grega fulô) e saio de lá com um questionamento.
O que é felicidade?
Acredito que tenha entendido que felicidade não é algo místico, não é algo inatingível e difícil de alcançar. Se o sofrimento é tão palpável, porque não seria também assim com a tal felicidade? Acontece que a civilização contemporânea sente um vazio grande, e para amainar o desespero da falta de entendimento de si próprio é mais fácil pegar algo externo à si, no caso a felicidade, endeusá-la e colocá-la num pedestal inatingível, que talvez fique no Olimpo perto de Era e Zeus.
Passa-se assim a vida inteira buscando esse algo. Cria-se um consolo quase que indestrutível.
"Estou sempre em busca da felicidade!".
Quanto mais se aliementa isso, mas difícil é de entender que tudo não passa de um grande show de ilusionismo.
Aqui vai a grande revelção do ano: felicidade é uma sensação como outra qualquer.
E só.
Por exemplo, tive idéia de escrever esse texto, o que me deixou animada, agora que escrevo, não estou feliz, nem triste, nem qualquer outra coisa que derive destas duas grandes sensações das quais derivam n outras. Estou apenas acessando outros estados, o de concentração, o de insipração, o de criatividade, variantes de algo que não sei, e nem preciso.
Álias, o que deveriamos fazer é prestar atenção nos outros estados/sensações, eles são bem mais interessantes do que a felicidade em si.
Penso que a tal felicidade sonhada não passa de eufória. Eufória que, para mim, é o oposto de desespero, sendo oposto é complementar. Digo isso porque todas as vezes que experimentei estados intensos de euforia, logo depois cai direto no desespero depressivo...
Extremos nunca são bons, mas é preciso senti-los no mínimo uma vez na vida. Acho que ninguém deve poupar ninguém de ter experiências, quaisquer que sejam.
Falando em vida, chego aqui no ponto proncipal de meus pensamentos: creio que devemos nos focar no viver e só. Mas isso é assunto pra outro dia!
Mas,voltemos a grande pergunta que originou todo esse falatório desenfreado:
Afinal de contas o que é felicidade?
Penso que felicidade é que nem carteira de identidade: pessoal e intransferível. Cada um tem a sua. Elas podem ter coisas incomum, mas nunca são iguais.
Ou seja, felicidade meus amigos é tão palpável, comestível, digerível e efêmera quanto um delicioso pote de sortvete no verão!
O que é felicidade?
Acredito que tenha entendido que felicidade não é algo místico, não é algo inatingível e difícil de alcançar. Se o sofrimento é tão palpável, porque não seria também assim com a tal felicidade? Acontece que a civilização contemporânea sente um vazio grande, e para amainar o desespero da falta de entendimento de si próprio é mais fácil pegar algo externo à si, no caso a felicidade, endeusá-la e colocá-la num pedestal inatingível, que talvez fique no Olimpo perto de Era e Zeus.
Passa-se assim a vida inteira buscando esse algo. Cria-se um consolo quase que indestrutível.
"Estou sempre em busca da felicidade!".
Quanto mais se aliementa isso, mas difícil é de entender que tudo não passa de um grande show de ilusionismo.
Aqui vai a grande revelção do ano: felicidade é uma sensação como outra qualquer.
E só.
Por exemplo, tive idéia de escrever esse texto, o que me deixou animada, agora que escrevo, não estou feliz, nem triste, nem qualquer outra coisa que derive destas duas grandes sensações das quais derivam n outras. Estou apenas acessando outros estados, o de concentração, o de insipração, o de criatividade, variantes de algo que não sei, e nem preciso.
Álias, o que deveriamos fazer é prestar atenção nos outros estados/sensações, eles são bem mais interessantes do que a felicidade em si.
Penso que a tal felicidade sonhada não passa de eufória. Eufória que, para mim, é o oposto de desespero, sendo oposto é complementar. Digo isso porque todas as vezes que experimentei estados intensos de euforia, logo depois cai direto no desespero depressivo...
Extremos nunca são bons, mas é preciso senti-los no mínimo uma vez na vida. Acho que ninguém deve poupar ninguém de ter experiências, quaisquer que sejam.
Falando em vida, chego aqui no ponto proncipal de meus pensamentos: creio que devemos nos focar no viver e só. Mas isso é assunto pra outro dia!
Mas,voltemos a grande pergunta que originou todo esse falatório desenfreado:
Afinal de contas o que é felicidade?
Penso que felicidade é que nem carteira de identidade: pessoal e intransferível. Cada um tem a sua. Elas podem ter coisas incomum, mas nunca são iguais.
Ou seja, felicidade meus amigos é tão palpável, comestível, digerível e efêmera quanto um delicioso pote de sortvete no verão!
segunda-feira, 9 de fevereiro de 2009
Ao Correr da Máquina
Está fazendo um dia lindo de outono. A praia estava cheia de um vento bom, de uma liberdade.E eu estava só. E naqueles momentos não precisava de ninguém. Preciso aprender a não precisar de ninguém. É difícil porque preciso repartir com alguém o que sinto. O mar estava calmo. Eu também. Mas à espreita, em suspeita. Como se essa calma não pudesse durar. Algo está sempre por acontecer. O imprevisto me fascina.
quarta-feira, 28 de janeiro de 2009
Noções
Entre mim e mim, há vastidões bastantes
para a navegação dos meus desejos afligidos.
Descem pela água minhas naves revestidas de espelhos.
Cada lâmina arrisca um olhar, e investiga o elemento que a atinge.
Mas, nesta aventura do sonho exposto à correnteza,
só recolho o gosto infinito das respostas que não se encontram.
Virei-me sobre a minha própria experiência, e contemplei-a.
Minha virtude era esta errância por mares contraditórios,
e este abandono para além da felicidade e da beleza.
Ó meu Deus, isto é minha alma:
qualquer coisa que flutua sobre este corpo efêmero e precário,
como o vento largo do oceano sobre a areia passiva e inúmera...
Cecília Meireles
para a navegação dos meus desejos afligidos.
Descem pela água minhas naves revestidas de espelhos.
Cada lâmina arrisca um olhar, e investiga o elemento que a atinge.
Mas, nesta aventura do sonho exposto à correnteza,
só recolho o gosto infinito das respostas que não se encontram.
Virei-me sobre a minha própria experiência, e contemplei-a.
Minha virtude era esta errância por mares contraditórios,
e este abandono para além da felicidade e da beleza.
Ó meu Deus, isto é minha alma:
qualquer coisa que flutua sobre este corpo efêmero e precário,
como o vento largo do oceano sobre a areia passiva e inúmera...
Cecília Meireles
terça-feira, 6 de janeiro de 2009
Conto da bailarina sem cabeça. (conto teatral para ser encenado e lido simultaneamente, sem necessidade de audiência)
Personagens:
Isabela – 6 anos e meio
Mãe.
Mamãe, mamãe! Olha só o meu desenho!( com empolgação típica infantil)
Ah!(sem nem olhar para o desenho. Comportamento não maldoso, mas típico da mãe moderna-mulher-trabalhadora,que realmente não tem tempo de analisar o quinquagésimo nono desenho que a filha lhe mostra em uma semana. Sabe aquela fase em que eles passam o dia desenhando?Então...Sendo assim,e por ser sua filha, é claro que todo desenho será lindo)Que lin...(pausa-medo-susto)O que significa isso?!Hein?!
Ué mamãe é a bailarina!( com um sorriso sarcástico infantil como que denunciando que fez coisa errada, mas sabendo que por ser criança pode aproveitar-se do fato de todo erro ser acerto, e de que sua lógica não necessariamente, quer dizer, com certeza não é a mesma dos adultos)
Sem cabeça Isabela! Sem cabeça?!( com ar de superioridade maternal, pensando “que bonitinha! Esqueceu a cabeça!deixa a mamãe te ensinar com é que se faz” ) Não existe bailarina sem cabeça filha...O corpo não pode estar vivo, dançar se não tiver cabeça.( Com doçura maternal, tentando simplificar ao máximo a explicação, mas conservando um ar de mestre oriental que treina seu discípulo ainda ignorante)
E quem disse que ela não tem cabeça?( paciente e triunfante,sabendo que virará o jogo)
Você não desenhou a cabeça aqui filha...(Com ar de falsa-modestia de uma professora de alfabetização para adultos)
Não desenhei, mas ela tem cabeça ué...só não desenhei mamãe...isso não quer dizer que ela não tem.( com ar de desdém, meio blasé, como se aquilo fosse muito óbvio)
Como assim filha?( Confusa e pega de surpresa pela resposta da filha)
É só um desenho, se eu desenhasse a cabeça você não ia prestar atenção no mais importante que são os pés,as pernas, o corpo. Alias você não ia nem prestar atenção no desenho em si, ia dizer que tá lindo como você sempre fala. Então achei por bem utilizar-me de tal representação gráfica para enfatizar o que, para mim, mais tem importância na idéia explicitada, que é o ser em movimento, no caso a bailarina. Acho também que a cabeça é muito limitadora, o racionalismo extremo é inimigo da expressão corporal plena, sendo assim, optei por criticar o sistema no qual estamos inseridos, que nos propicia nada mais do que um massacre corpo-expressional, hiper-estimando um mente constantemente reprimida e sobrecarregada, que faz com que deixemos de lado a importância da pausa, do tempo para si e do movimento. Sendo assim nos tornamos escravos de nossas mentes, robotizando-nos, esquecendo-nos de sentir, esquecendo-nos que temos um corpo. Mamãe, você já parou pra sentir suas articulações, seus dedões dos pés, seus ouvidos? Não, eu sei que não...Ai,ai, é uma pena. Bom, deixa eu parar de perder tempo com conversinhas e ir tratar do que interessa, desenhar de giz de cera nas paredes da casa, rodar até cair no chão, correr, rir muito, conversar com meus amigos imaginários e exercitar meus cinco sentidos ao extremo enquanto ainda posso experimentar o mundo sem pudores ou medos.
Sai
Nota da autora: Ah! Essas crianças de hoje em dia!
Isabela – 6 anos e meio
Mãe.
Mamãe, mamãe! Olha só o meu desenho!( com empolgação típica infantil)
Ah!(sem nem olhar para o desenho. Comportamento não maldoso, mas típico da mãe moderna-mulher-trabalhadora,que realmente não tem tempo de analisar o quinquagésimo nono desenho que a filha lhe mostra em uma semana. Sabe aquela fase em que eles passam o dia desenhando?Então...Sendo assim,e por ser sua filha, é claro que todo desenho será lindo)Que lin...(pausa-medo-susto)O que significa isso?!Hein?!
Ué mamãe é a bailarina!( com um sorriso sarcástico infantil como que denunciando que fez coisa errada, mas sabendo que por ser criança pode aproveitar-se do fato de todo erro ser acerto, e de que sua lógica não necessariamente, quer dizer, com certeza não é a mesma dos adultos)
Sem cabeça Isabela! Sem cabeça?!( com ar de superioridade maternal, pensando “que bonitinha! Esqueceu a cabeça!deixa a mamãe te ensinar com é que se faz” ) Não existe bailarina sem cabeça filha...O corpo não pode estar vivo, dançar se não tiver cabeça.( Com doçura maternal, tentando simplificar ao máximo a explicação, mas conservando um ar de mestre oriental que treina seu discípulo ainda ignorante)
E quem disse que ela não tem cabeça?( paciente e triunfante,sabendo que virará o jogo)
Você não desenhou a cabeça aqui filha...(Com ar de falsa-modestia de uma professora de alfabetização para adultos)
Não desenhei, mas ela tem cabeça ué...só não desenhei mamãe...isso não quer dizer que ela não tem.( com ar de desdém, meio blasé, como se aquilo fosse muito óbvio)
Como assim filha?( Confusa e pega de surpresa pela resposta da filha)
É só um desenho, se eu desenhasse a cabeça você não ia prestar atenção no mais importante que são os pés,as pernas, o corpo. Alias você não ia nem prestar atenção no desenho em si, ia dizer que tá lindo como você sempre fala. Então achei por bem utilizar-me de tal representação gráfica para enfatizar o que, para mim, mais tem importância na idéia explicitada, que é o ser em movimento, no caso a bailarina. Acho também que a cabeça é muito limitadora, o racionalismo extremo é inimigo da expressão corporal plena, sendo assim, optei por criticar o sistema no qual estamos inseridos, que nos propicia nada mais do que um massacre corpo-expressional, hiper-estimando um mente constantemente reprimida e sobrecarregada, que faz com que deixemos de lado a importância da pausa, do tempo para si e do movimento. Sendo assim nos tornamos escravos de nossas mentes, robotizando-nos, esquecendo-nos de sentir, esquecendo-nos que temos um corpo. Mamãe, você já parou pra sentir suas articulações, seus dedões dos pés, seus ouvidos? Não, eu sei que não...Ai,ai, é uma pena. Bom, deixa eu parar de perder tempo com conversinhas e ir tratar do que interessa, desenhar de giz de cera nas paredes da casa, rodar até cair no chão, correr, rir muito, conversar com meus amigos imaginários e exercitar meus cinco sentidos ao extremo enquanto ainda posso experimentar o mundo sem pudores ou medos.
Sai
Nota da autora: Ah! Essas crianças de hoje em dia!
segunda-feira, 5 de janeiro de 2009
Asas de papelão- rascunho- parte 1
Vem cá! Vamos, vamos! Traz a cola tá ? A tesoura e papelão eu tenho aqui!
Vem, me dá a mão, deixa que eu te ensino! Ou é você quem me ensina...Ahn? Não!
Dá isso aqui! É, é, você tá certa e pra cá mesmo... Agora vira... E agora? Você sabe né, eu sei... Parece até que a gente já... deixa pra lá vai! Não, não! Deixa! Tá! Tá bom, eu falo! Parece até que a gente já se conhece de outras vidas sei lá...Sabe quando...
( pausa- olha pra ela)
Parece que posso segurar a lua com minhas próprias mãos, vejo flores aonde não tem e...Ué! Quem foi que ascendeu a luz do mundo desse jeito!? Quantas cores lindas! Onde fica esse interruptor? O que é isso? E um...Meu Deus! Eu posso enxergar a luz, e como as ondas tem vida própria! Quem foi que pintou o céu assim? Onde foi que você encontrou tanta vida? As montanhas elas...elas...que caixa foi essa que você abriu?
(risos,risos,risos)
É eu sei! Eu faço perguntas demais, é que eu nunca vi nada assim, senti nada assim, não sei! Não sei nem explicar eu... O que posso dizer, ou melhor o que se diz quando se fica tanto tempo assim com os pés descalços? Com os pés descalços e fora do chão assim?
Vêm, vêm cá você agora! Me dá sua mão! Isso, agora fecha os olhos! Assim não né! Fecha mesmo, de verdade, deixa eu ver...Isso! Agora assim, me dá a outra mão, as duas! Assim, isso, tá chegando, tá chegando...É sim, a gente tá andando em círculos mesmo. Calma, você vai ver! Pronto, pode abrir...Pois é! Enquanto conversavamos, quer dizer, enquanto eu falava muito, elas ficaram prontas...E aí vamos? Eu queria, mas se você não quiser, a gente não preci...Sim? Você disse sim? Então vamos! Calcemos então nossos asas de papelão, elas, e somente elas, e eu e você.
Vem, me dá a mão, deixa que eu te ensino! Ou é você quem me ensina...Ahn? Não!
Dá isso aqui! É, é, você tá certa e pra cá mesmo... Agora vira... E agora? Você sabe né, eu sei... Parece até que a gente já... deixa pra lá vai! Não, não! Deixa! Tá! Tá bom, eu falo! Parece até que a gente já se conhece de outras vidas sei lá...Sabe quando...
( pausa- olha pra ela)
Parece que posso segurar a lua com minhas próprias mãos, vejo flores aonde não tem e...Ué! Quem foi que ascendeu a luz do mundo desse jeito!? Quantas cores lindas! Onde fica esse interruptor? O que é isso? E um...Meu Deus! Eu posso enxergar a luz, e como as ondas tem vida própria! Quem foi que pintou o céu assim? Onde foi que você encontrou tanta vida? As montanhas elas...elas...que caixa foi essa que você abriu?
(risos,risos,risos)
É eu sei! Eu faço perguntas demais, é que eu nunca vi nada assim, senti nada assim, não sei! Não sei nem explicar eu... O que posso dizer, ou melhor o que se diz quando se fica tanto tempo assim com os pés descalços? Com os pés descalços e fora do chão assim?
Vêm, vêm cá você agora! Me dá sua mão! Isso, agora fecha os olhos! Assim não né! Fecha mesmo, de verdade, deixa eu ver...Isso! Agora assim, me dá a outra mão, as duas! Assim, isso, tá chegando, tá chegando...É sim, a gente tá andando em círculos mesmo. Calma, você vai ver! Pronto, pode abrir...Pois é! Enquanto conversavamos, quer dizer, enquanto eu falava muito, elas ficaram prontas...E aí vamos? Eu queria, mas se você não quiser, a gente não preci...Sim? Você disse sim? Então vamos! Calcemos então nossos asas de papelão, elas, e somente elas, e eu e você.
terça-feira, 30 de dezembro de 2008
Madrugada( para o quadro de Fabian Perez "El Paseo")

A essa hora olho e vejo
as ruas mudando,
as luas girando,
os passos vagando.
O vazio se estende se preenchendo dele mesmo,
do breu.
O medo dorme.
A essa hora não se é nada
Nada existe.
tudo morre.
Nem é noite nem é dia.
È hora de quem mata,
de quem vaga
dos lamentos
das dores
dos mal-amores
dos gritos de desespero
das garrafas quebradas
dos martírios
dos murmúrios.
É hora das perguntas
das insônias
dos covardes
dos que correm
dos que ardem
dos que erram
dos que se mutilam
dos que questionam.
É hora dos epílogos
dos comprimidos de anfetamina
da cafeína
do ácido
da vodca barata
do asfalto gelado
dos sussurro
do êxtase.
É hora do confronto
do conflito
do limite.
É hora do eu.
Ela passeia sozinha.
Dentro dela mesma,
troca passos em falso.
Braços se enlaçam,
alheios.
Olhos se olham,
de esguelha.
A essa hora
Ela não passa de uma lâmpada neon fraca
(de um luminoso de motel barato)
De um meio fio de uma ruela qualquer
De uma sarjeta suja
De um paralelepípedo de pedra molhada.
De um enfeite
um fetiche
De um capricho
um capacho
De uma nota torta de contra-baixo.
Seu grito não tem som.
Seu suor é doce .
Seus pés são frios.
Seus olhos rasos.
Suas mãos espaços.
Cambaleia.
Ela é um nada.
Ela é sombra.
Uma
Sobra.
Um treco
Um teco
Uma pitada
Um tempero
Um digestivo
Um número de ilusionismo
Um abismo
Um prego
Uma tampa
Um tapa
Um troco
Um brinquedo
Uma gorjeta
Um segredo
Um surto
Um distúrbio
Uma pista
O subúrbio
Uma artista.
A essa hora,
Ela.
Ela.
Ela.
Um efeito da madrugada.
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